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Como a Fujifilm conseguiu evitar os erros da Kodak

Nos anos 60, a Fujifilm Holdings Corp. era uma empresa de presença regional que começava a ampliar seu foco para o mundo e tentava alcançar a líder do mercado de filmes fotográficos, a Eastman Kodak Co.

Mas à medida que o filme foi relegado ao esquecimento nos anos seguintes, a Kodak não conseguiu acompanhar o ritmo das mudanças e, depois de uma longa e tortuosa trajetória, acabou pedindo concordata na quinta-feira. A Fujifilm, por sua vez, evoluiu de um fornecedora de filmes, relativamente pequena, para uma empresa diversificada com operações significativas nos setores de saúde e eletrônicos.

"Tanto a Fujifilm quanto a Kodak sabiam que o maremoto da era digital ia nos varrer", disse o diretor-presidente da Fujifilm, Shigetaka Komori, numa entrevista recente. "A questão era o que fazer sobre isso."

O que a Fujifilm fez foi buscar mais que uma simples transição da fotografia analógica para a digital. Em vez disso, a empresa usou seu conhecimento de química para fins mais amplos, como remédios e telas de cristal líquido. A Fujifilm também se aventurou nos cosméticos: parece que o mesmo processo para corrigir fotos esmaecidas também pode ser usado para melhorar a pele.
Shigetaka Komori, diretor-presidente da Fujifilm.
A transição da empresa sediada em Tóquio para a era pós-digital não foi fácil ou rápida. Milhares de empregos foram sacrificados e fábricas foram fechadas.

Komori assumiu o cargo de diretor operacional da empresa em 2000, justo quanto a demanda do filme chegava ao auge.

Depois de ser nomeado diretor-presidente, três anos depois, a Fujifilm optou por sobreviver ao avanço da fotografia digital se reestruturando e abrindo novos empreendimentos. A empresa cortou mais de 200 bilhões de ienes, ou cerca de US$ 2,5 bilhões, em custos em 2005 e 2006, principalmente no negócio de filme fotográfico. Pouco depois, o lucro da Fujifilm bateu recorde. Outro marco na evolução da empresa ocorreu depois da crise financeira mundial, quando ela foi forçada a diminuir os custos em mais 175 bilhões de ienes de 2009 a 2010.

"O fator mais decisivo [para o nosso sucesso] foi como conseguimos transformar drasticamente nossos negócios quando ocorreu a digitalização", disse Komori. O que diferenciou a Fujifilm da Kodak, disse ele, foi o esforço da empresa japonesa para entrar em novas áreas usando tecnologias criadas originalmente para a fotografia.

A superfície do filme fotográfico tem 20 camadas ultrafinas contendo cerca de 100 tipos de produtos químicos. A Fujifilm aplicou sua excelência no manuseio de químicos e na engenharia em escala molecular para o desenvolvimento das películas usadas nas telas de cristal líquido de computadores, televisores e outros aparelhos. Esse negócio, iniciado há cerca de uma década, é um dos mais competitivos da Fujifilm e fabrica películas para fornecedores de componentes de telas de LCD.

Ela também está aproveitando essa habilidade com químicos para criar remédios, buscando maneiras de o corpo humano absorver melhor certos químicos contidos nos medicamentos. A empresa já gastou 650 bilhões de ienes desde 2000 para comprar empresas de saúde.

Um de seus empreendimentos mais recentes é no setor de cosméticos — ela criou uma linha de produtos para a pele chamada Astalift — que emprega a mesma tecnologia antioxidante usada para impedir que uma foto fique apagada.

A Fujifilm obtém hoje cerca de 1% da receita com filme, ante quase 20% dez anos atrás. Suas operações de saúde, que incluem equipamentos médicos, remédios e cosméticos, responde por cerca de 12% da receita. Os materiais para televisores de tela fina geram 10% do faturamento.

"Com o passar do tempo, o fato é que quando uma empresa perde seu principal negócio, algumas conseguem se adaptar e superar a situação enquanto outras não", disse Komori num comunicado divulgado após a concordata da Kodak. "A Fujifilm conseguiu superar isso com a diversificação." Fonte The Wall Street Journal.

Narciso Machado

NCM Business Intelligence

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